domingo, 20 de fevereiro de 2011

Quanto mais eu rezo...

Quanto mais eu rezo...


Durante esta semana, tive de ir a Sede do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a fim de fazer carga de um processo onde havia um despacho para que me manifestasse. Feita a viagem, já tive o azar de chegar no horário de almoço dos serventuários, assim, tive aguardar mais um pouco para proceder com a minha diligência.
Quarenta e cinco minutos após, adentrei na sala onde deveria retirar os autos. A sala estava vazia com apenas duas pessoas em seu interior , numa vasta sala, sem pilhas de processos espalhados , aparentando uma boa organização. A primeira impressão foi ótima. Primeiramente eu falei um “boa tarde, tudo bem?” e após a chegada de um serventuário, ou melhor, serventuária, mencionei que gostaria de fazer carga dos autos e dei na mão dela a cópia da publicação , onde constava meu nome, OAB, parte a que representava além de todos os dados referentes ao processo, capacitando a qualquer um a possibilidade de se entender o era de ser feito.
Mas que nada, ledo engano.
Sempre menciono para outras pessoas numa frase que quase já virou um bordão “não confie na inteligência humana” querendo dizer, não que as pessoas sejam burras (principalmente neste caso, longe de mim), mas que as pessoas, às vezes, conseguem fazer conclusões ou atos tão ilógicos que nos parecem absurdos, pelo nosso ponto de vista. Visão esta, que por estar tendenciosa por nossos sentimentos ou por fora da situação e em uma amplitude maior nos dá esta emoção repulsiva pela condenação das atitudes alheias, as enquadrando como não inteligentes.
Voltando à minha ida ao TJ, a então serventuária, sem me relatar nada pediu que aguardasse (o que eu não sei, pensei comigo ela vai procurar o processo). Daí ela pegou o processo e o deixou sobre sua mesa. Pediu-me para que aguardasse mais e saiu da sala.
Tempos depois entraram outros funcionários, dentre estes, um aparentando ser mais sério com um ar mais altivo, mas sem nenhuma arrogância. Após eu olhar o meu processo apenas fiquei em pé em frente ao balcão. Pronto bastou este gesto para que a então serventuária, requisitasse minha carteira da OAB e passasse os autos para este senhor, o qual mesmo olhando o conteúdo do processo e vendo meu nome e OAB nos autos(em vários locais) com a minha carteira nas mãos ainda perguntou: “ O senhor é advogado de quem?”. Novamente a frase que sempre falo aos meus próximos voltou a minha mente, mas respirei e respondi ao seu questionamento num tom mais seco e direto.
A frase seguinte emanada por ele foi: “ há, pode fazer carga, não tem problema não”. Fiquei curioso e, confesso, já sem paciência visto que era cristalino que um funcionário deveria saber que se há um prazo para um advogado ele pode fazer carga dos autos. É garantido em Lei e depois de anos de experiência, logicamente, um funcionário da Sede do Tribunal de Justiça, um ambiente com tantos protocolos e rodeado de pessoas experientes na seara jurídica, deveria saber.
Acontece que ele sabia o que era certo a ser feito, mas as outras pessoas não aparentavam uma segurança em saber o que fazer, mesmo após anos e anos de trabalho. Aí mais uma vez eu pensei:
(continua)

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